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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Escalando em Yosemite (Parte 3 - Lurking Fear, El Captain)

12º enfiada. Deu um trabalhooooooo....

Falem aí, amigos!

Ufa! Chegamos no último relato da viagem para Yosemite, e agora a cereja do bolo... a escalada de uma das paredes mais místicas do montanhismo: o El Captain.

Para aqueles que estão chegando agora recomendo a leitura dos dois relatos anteriores sobre nossa viagem para Yosemite, pois assim poderão entender melhor esse relato. Acessem os relatos pelos seguintes links: Escalando em Yosemite (Parte 1) e Escalando em Yosemite (Parte 2).

Voltando à viagem...

Assim que terminamos a escalada da Leaning Tower fomos direto comer algo. Acho que foi uma bela pizza gigante de pepperoni com pimentão, regando à cerveja. Dali voltamos para o "camp4" onde dormimos e no dia seguinte não fizemos nada, somente descansando e curtindo.

sábado, 14 de maio de 2016

Marcio Faria repete a Domigos Giobbi em solitário.

Foto do próprio, durante a escalada.

Bom dia, pessoal!

Hoje deixo aqui o registro da ascensão em solitário da via Domigos Giobbi, pelo grande escalador Marcio Faria.

A Domingos Giobbi é uma via de bigwall na Pedra do Baú, geralmente feita em dois dias. Graduada em 6º A3 é considerada um clássico do Baú e sofreu poquíssimas repetições em solitário.

Parabéns ao Márcio pela brilhante escalada!

Vejam o relato pelo link abaixo:
http://vertical-minas.blogspot.com.br/2016/05/big-wall-domingos-giobbi-em-solitario.html

sábado, 23 de janeiro de 2016

Escalando em Yosemite (Parte 2 - Escalando a Leaning Tower, West Face)

No cume da "Leaning Tower", com a bandeira do Clube Alpino Paulista e com o "El Captain" no fundo.


E aí, pessoal!

Bom, continuando então o relato de nossa viagem para Yosemite (veja o primeiro relato clicando aqui)...

No dia seguinte de nossa escalada da "Royal Arches" nós descansamos, se eu não me engano (rsrs) dois dias, nos quais desfrutamos um pouco do parque, conhecemos o funcionamento de tudo lá, fizemos algumas comprinhas e por fim nos preparamos para a nossa próxima via, que seria a "West Face", na "Leaning Tower".

Essa via é considerada uma via de "entrada" nos bigwalls por lá, tendo onze enfiadas e sendo feita na média em três dias de parede, sem necessidade de portaledge. Isso não significa que seja fácil, e nós sabíamos que teríamos que chegar firme nela.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Convite! Palestra sobre escaladas de bigwall em Yosemite!



Caros amigos!

No dia 3 de dezembro, eu e o meu amigão Fábio Kanashiro estaremos apresentando/conversando um pouco sobre nossas experiências nas paredes de Yosemite, na sede do Clube Alpino Paulista, no endereço Rua Gomes de Carvalho, 823, Vila Olímpia, São Paulo/SP.

Na ocasião de nossas escaladas por lá foram feitas as vias West Face, na Leaning Tower (3 dias de parede) e a Lurking Fear, no El Capitan (4 dias de parede).

Contamos com a presença de todos! Uma excelente oportunidade para aqueles que querem conhecer um pouco sobre o vale de Yosemite, sobre as escaladas de bigwall de lá ou simplesmente sobre a escalada em si.

A apresentação começa as 20:30 e a entrada é franca.

Grande abraço a todos!


sábado, 2 de agosto de 2014

Tentativa da escalada da "Place of Happiness", Pedra Riscada!

Pessoal,

Acho sempre interessante postar alguma notícia internacional sobre escalada no Brasil. Desta vez trata-se da tentativa da escalada da via "Place of Happiness", na Pedra Riscada! Essa via aberta por uma equipe de grandes escaladores, entre os quais figura o brasileiro Edemilson Padilha, e possui 850 metros com enfiadas difíceis, chegando a 9a brasileiro.

O vídeo dos escaladores Mayan Smith-Gobat e Ben Rueck, que ficou muito legal, segue abaixo:



Eles não conseguiram concluir a escalada porém tiveram a oportunidade de conhecer um pouco do Brasil e entender o porquê do nome da via! :)

Abraços!


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Escalando a Diretíssima Sul (D5 A1+ 325m). Face sul do Corcovado.

 Eu, Paulo e o Cris com o Cristo (cortado) ao fundo.

Fala galera,

Estou escrevendo agora sobre o último final de samana, quando eu, o Paulo Chagas e nosso amigo Cristian Bons, escalamos a via Diretíssima Sul (também conhecida como Via dos Austríacos) na face sul do Corcovado, Rio de Janeiro/RJ.

Em 2008, em companhia do meu amigo Ricardo Nonaka, durante uma viagem de escalada nós tentamos a via em um dia, sendo que tivemos que descer devido à chuva que nos pegara ao final da 3ª enfiada.

Logo depois disso, em conversa com o escalador Davi Henrique, do CAP, resolvemos escala-lá novamente mas dessa vez em dois dias, exatamente para curtir uma noite no platô que existe no decorrer da via e assim curtir o visual da lagoa Rodrigo de Freitas, do meio da parede mais imponente da cidade do Rio de Janeiro.

 Albergue que a gente ficou na sexta.

Viajamos pro Rio na sexta-feira, sendo que saímos da sampa por volta das 17h00, chegando por lá já a noite. Fizemos compras e fomos para o albergue onde dormimos somente 3 horas para no dia seguinte seguirmos para a escalada.

 A parede.


Eu na guiada da primeira enfiada. Paulo na segurança.


Já mais acima.

Por fim, no outro dia, levantamos cedo, arrumamos as coisas e saímos de carro parando-o em um estacionamento próximo da Av. das Laranjeiras, onde então pegamos um táxi para o Parque Lage (ponto de acesso à base da Face Sul do Corcovado).

Iniciamos a trilha de aproximação que é tranquila mas o tempo todo íngrime, sendo que após atingir a base rochosa, nos dirigimos à base da via que segue ligeiramente à direita do totem central da face sul.

Descansamos um pouco e quando eram 10h45 lá estava eu começando a guiar a primeira enfiada da via. Não conseguimos encontrar grande quantidade de informações sobre a mesma, o que nos deixava um pouco inconfortáveis quanto à distância até o platô.

Guiei a primeira enfiada esticando em torno de 45 metros de corda. A primeira proteção fixa é um parafuso e para acessá-lo é preciso montar os estribos em uma peça móvel colocada por debaixo de uma laca logo no começo. Daí ele segue somente com proteções fixas, alternando entre parafusos, grampos "P" de 1/2 polegada e antigos grampos Stubai (de progressão, com 1/4 de polegada), da conquista.

 Visual da zona sul do Rio.

A segunda enfiada foi tocada pelo Cristian, sendo que ele puxou em torno de 55 metros de corda, também variando o mesmo estilo de proteção.

A terceira enfiada, tocada pelo Paulo Chagas totalizou praticamente 60 metros de corda, sobrando somente um chicote de 1 metro. Mesmo estilo de proteção.

Platozinho do bivaque.


Cris na segurança do Paulo na 6ª enfiada.


Visual já no final da escalada.

Já na quarta enfiada, guiada por mim, no final da tarde, as proteções demonstraram estar precárias. Muitos dos grampos Stubai estavam totalmente corroídos impossibilitando a utilização como proteção e ainda causando desconforto na progressão. Nesta enfiada puxei em torno de 40 metros até o platô, onde cheguei quando eram por volta das 20h00.

Devido a um problema no içamento do material, o Paulo e o Cristian foram chegar no platô bem mais tarde, quando eram passadas 22hrs.

Comemos, nos hidratamos, arrumamos nosso bivaque e fomos dormir com aquela vista esplêndida.

No outro dia (domingo) levantamos bem cedo, e o Cris começou a guiar o que seria a 5ª enfiada com o sol à nossa direita brilhando forte. Puxou em torno de 45 metros de corda quando então passou a vez pro Paulo que puxou também em torno de 45 metros de corda.


Estado deplorável das proteções.

Coube a mim guiar a 7ª enfiada, sendo que mais uma vez ficou constadada a deteriorização dos grampos Stubai. Alguns ainda possuiam parafusos ao lado, como em substituição, provavelmente em alguma ação de regrampeação mas outros não possuiam e tive de arriscar a laçá-los com nut de cabo devido a ser impossível confiar na simples passada de mosquetão em face dos olhais estarem totalmente abertos.

Após puxar em torno de 35 metros de corda cheguei a uma área vegetal bem mais ampla e já próxima ao cume, onde após todos subirem iniciamos a procura pela continuação da via. Vale lembrar que o içamento no segundo dia foi bem mais tranquilo até pelo consumo da água e comida, fazendo com que não tivéssemos problemas com isso.

 Descendo do Cristo.

Após vasculharmos a pequena parede que seguia atrás de uma possível continuação e verificarmos que não havia sequer um grampo, decidimos seguir para a direita, passando pela parada de uma outra via para então chegarmos ao platô que dá acesso a última enfiada da via K2.

Feita a guiada do Cristian em livre (mais 20 metros - totalizando 345 metros de escalada), eu o Chagas subimos com a mochila/haul bag nas costas mesmo, no jumar e logo estávamos curtindo um visual junto ao Cristo. Tirada algumas fotos e descemos andando até trombar um táxi que nos deixaria em nosso carro. Chegamos no carro quando eram quase 15h00.

Fomos almoçar no Leme e quando eram 17h00 já estávamos caindo na Dutra sentido sampa.

 De retorno pra sampa.

Foi uma via muito bacana em uma parede que alternava quase sempre verticalidade com negatividade e com um visual impagável. Pela quantidade de teias de aranha na trilha que leva a base da via (e também até a base da via Atalho do Diabo) fazia muito tempo que ninguém entrava nela.

Para repetir a via são necessários os seguintes equipos:

- Duas cordas de 60m,
- 15 costuras,
- Fitas e mosquetões avulsos,
- Dois nuts de cabo para os parafusos e grampos deteriorados,
- Um friend pequeno para a laca inicial,
- Dois pares de estribos pra cada mais material pra básico de artificial (se um for no jumareio três pares de estribo, total),
- Se o segundo for agilizar no jumareio: ascensores,
- Recomendo levar um joguinho de talons.

É possível fazer a via em um dia. Pra isso entrar bem cedo e leve pra acabar no final da tarde.

O próximo objetivo agora é a via "Os impermeáveis" (6º A2+) no Dedo de Deus. Vamos ver.

Até o momento escalei as seguintes vias em artificial:

Domingos Giobbi (D5 6º A3 - até a rota de escape, sendo as enfiadas: 6º, A2, A3, A2),
Diretíssima Sul (D5 A1+),
Fissura Chove e Não Molha (A2),
Teto do Baú (A1),
Teto do Visual (A1).

Entre outras em livre com trechos em artificial.

Um forte abraço!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dica de site para as escaladas patagônicas!




Fala pessoal,

Depois de entrar nesse site, que me foi passado pelo meu amigão Tacio Philip, resolvi dar uma checada e fiquei impressionado pela quantidade de fotos e informações nele contido a respeito das escaladas patagônicas.

Se não fosse só isso, o organizador do site é o grande escalador argentino Rolando Garibotti, uma lenda viva da patagônia.

Mesmo pra quem não sonha em escalar por lá vale uma visita pelas belas imagens!

Abraços.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Criação do Monumento Natural da Pedra do Baú.

 O conjunto da Pedra do Baú. São Bento do Sapucaí/SP.

Repassando,


Pessoal,

Na próxima segunda-feira, dia 27 de dezembro, às 10 horas, será realizada cerimônia de criação do Monumento Natural Estadual da Pedra do Baú, na Prefeitura Municipal de São Bento do Sapucaí, no estado de São Paulo.

Este é um ato de preservação há muito esperado que visa conservar os remanescentes de floresta montana associados à Mata Atlântica na Serra da Mantiqueira. A área, que terá pouco mais de 3 mil hectares, vai preservar as matas de araucárias e os campos de altitude. A criação deste Monumento Natural é um esforço conjunto da prefeitura Municipal de São bento do Sapucaí e do Governo do Estado de São Paulo que deverão também partilhar responsabilidades na gestão da área.

Para os montanhistas e todos os amantes das montanhas, a criação desta unidade de conservação também representa a preservação de um aspecto muito especial da paisagem da Serra da Mantiqueira: o Complexo do Baú - Pedra do Baú, Bauzinho e Ana Chata - conjunto de montanhas rochosas que está entre os principais points de escalada da região sudeste do Brasil.

A cerimônia é pública e todos estão convidados.

Solicita-se ampla divulgação.

Forte abraço e Feliz Natal

Milton Dines


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Vídeo da escalada da rota "Riders on the Storm", Torres del Paine.

Fala pessoal,

Como eu gosto muito de vídeo de escalada, alguns eu tenho que compartilhar pois são escaladas fantásticas. Essa é da escalada da rota "Riders on the Storm", em Torres del Paine, um bigwall graduado em D7 9º A3 1200m, em ambiente alpino.



Curtam a doidera!

Abraços!

sábado, 8 de agosto de 2009

Domingos Giobbi (D5 6º A2+)!


Fala pessoal!

Bom, vou escrever aqui, até mesmo antes da postagem sobre Itatiaia, porquê ainda estou sem as fotos da viagem pra lá, sobre a escalada que eu e o Tacio Philip fizemos da rota "Domingos Giobbi" (D5 6º A2+) na Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí, SP.

Esta via de bigwall foi consquistada em agosto de 1989 pelo Luiz Makoto Ishibe e Hugo Armelin e sintetiza de certa maneira a iniciação de muitos escaladores pelos meandros da escalada de bigwall. Claro que existem escaladores que conseguem escala-lá em um dia, mas estes são às exceções das exceções. De qualquer maneira, para nós não exisitiria melhor momento que escalá-la em Agosto de 2009, momento no qual ela completa 20 anos de conquista!

A idéia original minha e do Tácio seria passar uns 5 ou 6 dias em São Bento para entrar na "Domingos Giobbi" e na via "Distraídos Venceremos", este último, outro bigwall paulista cotado em D5 VI A3.

De posse dos equipamentos necessários para repetir a "Domingos", partimos para São Bento no dia 3 de agosto, saindo de sampa por volta das 16h30, sendo que chegamos por lá por volta das 20h00 devido ao trânsito que acabamos pegando na saída de casa.

Chegando lá, fomos tomar um lanche e logo fomos para o abrigo do Eliseu Frechou, onde pegamos alguns betas da escalada, e também emprestado um hook antigo (que o Eliseu disse poder ser importante devido ao mal estado dos furos de cliff além de um martelo e batedor com broca para a necessidade de refazer algum furo).

Eu, próximo do local do rapel, com a Pedra do Baú ao fundo.


Nossos equipos na noite anterior à escalada.


Preparamos os haulbags e fomos dormir.

Vale lembrar que tanto eu quanto o Tacio nunca havíamos feito vias D5, com pernoite em parede, e para a gente aquilo era uma grande novidade.

No dia seguinte, acordamos por volta das 05h30 tomamos café, pegamos as coisas e fomos para o Baú sendo que logo após vencermos a trilha e subirmos a escada do col estávamos na base do rapel (duas chapas Bonier alguns metros antes do início da via "Learning to Fly"). Observação para o fato que quase que consegui jogar minha corda fora quando fui lança-la para uma parte mais alta do col, sendo que joguei tão forte que ela vazou e caiu do outro lado, na trilha que está desbarrancando no col, virada pra face sul.

Eu, no primeiro rapel.

Iniciamos o rapel, que na verdade são dois (o primeiro curto e o segundo longo, com aprox. 50m) e logo estávamos no meio da trilha da parede da face norte indo em direção à parede laranja. Mais alguns minutos e por volta das 09h00 nós estávamos na base da primeira enfiada da Domingos, que segue em livre pela direita de um bloco de pedra ou em artificial pela esquerda do bloco.

Como o Tacio escala melhor e a mais tempo do que eu perguntei se ele iria guiar a primeira enfiada e ele logo respondeu que gostaria, sendo assim, saiu guiando e logo estava na parada.
A primeira enfiada é um 6º que começa em face e depois segue em uma fenda à direita do bloco de pedra, sendo que não possui uma única chapa, mas contendo boas colocações para peças móveis. Fui na sequência sem maiores dificuldades e logo estávamos os dois na primeira parada da via. Essa primeira enfiada é muito bonita e o trecho mais estranho é a saída em face.
Puxamos os bags e logo sugeri ao Tacio que guiasse a segunda enfiada, ja que aquela era a enfiada que o Eliseu disse que poderíamos pegar buraco de cliff em más condições e como nunca havía batido um matelo na rocha fiquei um pouco inseguro.

O Tacio, mandando a 1ª enfiada (6º, em móvel).


O Tacio, preparando-se para entrar na 2ª enfiada.


O Tacio, na 2ª enfiada, já mais acima.


Assim, mais um vez seguiu o Tacio na segunda enfiada, que sai bem à esquerda da parada em um início em livre com chapas e depois começa a sequência do artificial, cotado em A2. O Tacio mandou muito bem e por volta das 13-14h ele já havia terminado a segunda enfiada e lá ia eu começar a limpar.

Jumareei e limpei rapidamente a enfiada, e o Tacio sugeriu que entrássemos na terceira enfiada para adiantar (nossa meta para o primeira dia era somente as duas primeiras enfiadas) e lá fui eu mandar a terceira enfiada da via.

Visual com os bags em primeira plano.

A terceira enfiada segue uma linha na diagonal superior esquerda, e possui alguns trechos um pouco mais expostos e frágeis, fazendo que ela seja cotada em A2+/A3, sendo que quando eram por volta das 17h00 tinha conseguido mandar metade dessa enfiada, chegando na segunda chapa. Dali rapelei e descemos os dois para o platô da P1 para comer e dormir e deixamos as cordas fixas na segunda enfiada e até aonde eu tinha ido da 3ª enfiada.

Como nunca havíamos dormido na parede aquilo pra gente era novidade. Acabamos que até COZINHAMOS na parede, com fogareiro e tudo, o que deu um alento, já que estávamos com fome, apesar do peso extra!

Dormimos muito bem, sendo o tempo ajudou muito. No outro dia, levantamos tarde (por volta das 06h30 e até tomarmos café, jumarearmos e içarmos os sacos retornei a guiada quando eram quase 09h00) e com isso perdemos um tempo precioso, que nos faria falta depois.

Amanhecer do 2º dia de escalada.


Cade São Bento?

Continuei a guiada da terceira enfiada e após uma queda (o friend que me apoiava escapou e que por isso acabou por estourar o primeiro elo da minha daisy chain que ainda estava na proteção anterior) consegui terminar aquele trecho. A terceira enfiada, após a segunda chapa sobe reto alguns poucos metros e depois começa um horizontal em cliff com quatro buracos e depois com três colocações de friends (uma razoável e duas ruins) sendo que então sobe em mais um buraco de cliff, uma micronut, um friend bom, mais um buraco de cliff e então a parada.


Eu, e meu local de bivaque.


Acordando no outro dia, por volta das 06h30.

Rebocamos os bags e o Tacio veio jumareando e limpando. Quando eram por volta das 12-13h eu já estava guiando a 4ª enfiada, cotada em A2, onde ela faz uma travessia para a esquerda e depois quando chega em um chapeleta ela desce. Nesse momento nossa escalada terminou! Pois não consegui encontrar o caminho certo, pendulava, descia, jumareava de volta e nada! Só conseguia visualizar uma chapeleta bem na esquerda (que na verdade era um piton) mas nada de conseguir. Com isso o tempo foi passando, foi passando e comecei a ficar preocupado com o horário; e o Tácio também. Sugeri a ele, que tentasse achar o caminho já que estava mais descansado mentalmente e fisicamente e ele assim assumiu a segunda metade da guiada da 4ª enfiada. Ainda que ele não tenha achado o caminho original e ideal, o Tacio, de maneira titânica, conseguiu fazer a travessia para a esquerda, e quando eram por volta das 17h30 ele estava montando uma parada em móvel para escaparmos pela rota de fuga da "Anormal do Baú".


Rango da noite (Miojo, fatia de salame e provolone).

Após dois rapéis meus, um da parada para debaixo da chapa de descida da via (jumareei até a chapa) e outro dessa mesma chapa para a fenda que separa a parede laranja da parte mais positiva das vias Normal e Anormal do Baú, consegui jumarear até o Tácio, enquanto ele rebocava os bags. Dali fomos para a parada da Anormal, onde deu um trabalho imenso para subir os bags pela positividade da parede.

Chegando lá, descansamos bastante, tomamos água, comemos e não sei ao certo quanto tempo ficamos, pois além de tudo isso, ainda arrumamos os bags para descer.

Tínhamos duas possibilidades de descida. O rapel pela normal ou a trilha+escada da face sul.
Como não queríamos rapelar mais, ainda mais com aqueles haulbags (naquela hora já triplamente amaldiçoados) nas costas subimos a trilha e descemos a escada.

Visual.

Caímos na trilha e quando eram 00h30 (!!) estávamos chegando no carro, esgotados!
Fomos pra São Bento, e chegando lá, após um banho refrescante, uma boa janta e mais águas pudemos então dormir em paz, quando eram quase 04h00 da manhã.

Levantamos por volta do meio dia, arrumamos as coisas, almoçamos no Taipa, tomamos um Açaí pra revigorar e quando era no finalzinho da tarde, estávamos saindo de São Bento com destino a sampa. Mandar a Distraídos? Uma próxima vez talvez!

Jumareando a 2ª enfiada.

Este tipo de escalada nos trás experiência, pois se fossêmos repetí-la hoje teríamos feito de outra maneira a via. Primeiro e mais importante, diminuir ao máximo o peso a levar. Realmente dois dias, não necessitam de cozinha (só aí vc tira um fogareiro, cilindro de combustível, panelas e outros), levaria somente o estritamente necessário em termos de equipamento de escalada, diferente do que a gente fez ao levar diversos itens que nem sequer foram utilizados.

Compraria um saco de dormir mais compacto (o meu é enorme!!) e mais importante:
- começaria a ter escalado mais cedo. No primeiro dia, começamos a escalar por volta das 09h00. Se começassemos a escalar às 07h00 teria terminado a terceira enfiada ainda de dia no primeira dia e ganhado muito tempo no segundo. Já no 2º dia, começamos a jumarear as cordas quase no mesmo horário, sendo que se tivéssemos levantado umas 05h30 e tomado um rápido café teríamos ganho pelo menos outras duas horas. Talvez esta tenha sido o maior diferencial entre mandar a via completa (6 enfiadas) ou em sua forma reduzida (até a rota de escape - 4 enfiadas).

Eu, trabalhando a 3ª enfiada (A2+/A3).

De novo, já próximo do final.

Virada difícil.

De qualquer maneira, valeu muito a experiência e saí da parede com a sensação de dever cumprido e sentindo estar preparado para vias do mesmo gênero ou até mais difíceis. Vale dizer a parceria do Tácio e sua experiência foram fundamentais para que tudo corresse bem.

Para mandar a via, são necessários os seguintes equipos:
- 1 set de friends/camalots (da menor peça até a #4);
- 1 set de microfriends ou TCUs;
- 1 set de nuts de cabo;
- 1 set de micronuts;
- 1 par de jumares e 2 pares de estribos para cada escalador;
- 1 Fifi hook e 2 Daisy Chains para cada escalador;
- 1 jogo de hooks diversos (2 talon, 2 cliffhanger e 2 grapling bastam);
- 2 ou 3 cordas (depende da quantidade de escaladores);
- Levar martelo e batedor com broca para a eventualidade de arrumar buraco de cliff (rocha muito podre);
- Fitas e mosquetões avulsos;
- 1 polia;
- Se for dormir, um saco de dormir/bivaque e isolante;
- Água, de 3-4 litros por pessoa por dia (mas é bem pessoal);
- 1 haulbag de 70l deve dar, se forem dois escaladores já levando o equipo no corpo, senão dois haulbags;
e mais o de praxe que não preciso ficar falando aqui... headlamp, anoraque, etc...

Com certeza foi a escalada mais marcante que tive até agora. Claro, que a gente têm sempre que procurar sempre uma escalada que seja mais marcante que a antecessora, mas essa, foi com certeza, especial!

É isso aí! Até a próxima!