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domingo, 10 de agosto de 2014

A perda de mais um montanhista de peso (Ricardo "Rato" Baltazar).

Foto de Rato no cume do Fitz Roy, em 2011.

Deixo aqui o registro da perda de mais um montanhista. Uma perda pela pessoa humilde e como montanhista: Ricardo "Rato" Baltazar.

Divulgando o e-mail recebido das listas:

Boa noite. Foi encontrado hoje pela manhã no interior do canion  Malacara o corpo do escalador Ricardo (Rato) Baltazar. Grande montanhista morador de Torres e muito conhecido no mundo da escalada, com escalada com o Cerro Torre e  diversas outra agulhas de Chaltén. Rato entrou no canion na quarta feira passada sozinho para acampar, e as notícias que recebi é que ele caiu caminhando sobre as pedras e  bateu a cabeça, estava com a mochila nas costas. O Brasil perde um grande montanhista, se tornou uma lenda patagônica conhecido por muitos por lá.

Filipe 


O Rato havia escalado diversas montanhas de peso, entre as quais o Cerro Torre e o Fitz Roy. Foi um dos últimos escaladores a repetir a Via do Compressor antes da sua descaracterização. Chegou inclusive a morar em Chaltén por um tempo.

Link da notícia de sua escalada no Fitz Roy, em 2011: http://www.montanhista.com/2011/03/julio-campanella-e-ricardo-baltazar-no.html

Descanse em paz.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Julio Campanella e Ricardo Baltazar no cume do Fitz Roy (Rota Franco-Argentina).



Os brasileiros Julio Campanella e Ricardo "Rato" Baltazar, escalaram no final de fevereiro o Cerro Fitz Roy pela via Franco-Argentina. Depois da conquista de Sérgio Tartari, trata-se da melhor escalada feita por brasileiros na região. Leia o relato do Ricardo:

Saímos eu o Julio no sábado pro passo superior (alta caminhada alpina) e nos instalamos no bivac la pelas 4 da tarde. Engolimos o bivac gelado só no saquinho e as 11 hs da noite nos levantamos pra comer e ir atacar a famigerada brecha dos italianos. Pela 1h da manhã de domingo estávamos em marcha cruzando o glaciar do passo superior cheio de greta sinistras (íamos encordados eu na frente abrindo caminho e seguindo três argentinos que saíram antes nós). Saltei varias gretas e entrei com uma perna dentro de uma pequena.

Sobe, sobe chegamos ao pé da brecha lá pelas 3 da manhã e ai nos preparamos pra trepar a rymaia (sinistra) e escalar os 300 metros de misto e 5 grau. Demoramos um pouco porque logo encostou um espanhol e um argentino e nos embolamos um pouco, mas tiramos pra arriba. Chegamos no topo da silla dos franceses (pè da rocha) lá pelas 9 da manhã e ae tava uma muvuca!!!!

Tinha um casal logo na segunda cordada (que não se moviam) uma cordada de Bariloche logo por baixo na primeira cordada, os três argentinos no pé da via esperando pra entrar e nós, que chegamos seguidos de um espanhol e um outro argentino. Os três argentinos entraram na 1 cordada (um 6a), mas não se moviam. Julio começou falar em descer, desistir, pois começou a ficar tarde (já era quase meio dia!!!), sendo que o normal é começar a parte de rocha as 7 hs!!!!!

Foi quando o argentino que estava com o espanhol resolveu desistir. O espanhol (se chama Ino) então nos perguntou se o aceitávamos na cordada. Dissemos que sim. Tinha que ver o loco, tava quase chorando pra escalar.

Bom, peguei a ponta da corda e comecei o baile. Passei voando pelo 6a. O Julio e o Ino vinham escalando juntos limpando. Na 3 cordada pedi licença pros três argentinos pra passar, pois eles iam igual tartaruga e a parede jorrava água das fendas, pois o verglas tava derretendo com o calor que fazia.

Passei os argentinos e comi um 6b+ molhado, frio e de 50 metros em um diedro. Dale friends. Depois guiei uma cordada a mais e passei a bola pro Julio. Ele guiou umas 5 cordadas e passou pra mim de novo. (o espanhol não escalava muito bem em rocha) Fiz um par de cordadas e encarei a ultima pra sair na rampa de neve que dá acesso ao cume, um 6c (francês) duro e gelado (já eram umas 9 hs).

Artificializei o passo de 6c e meti o restante em livre. Subiram os loco e daí começou a epopéia!!!

A tal rampa final não tem nada de fácil, maior roubada!!!! De noite de lanterna, um frio ducaralho. Eu tava com todas as roupas e cagado de frio, nunca passei tanto frio em minha vida (estou com os dois dedão do pé insensíveis, dormentes, ainda). Foram
300 metros de misto a 50º graus um gelo petrificado pelo vento, que nem os crampons agarravam direito.

Nesse tramo passamos a bola pro espanhol como forma dele pagar o arrego que demos pra ele. O bixo foi bem, de piqueta e crampom foi encontrando o caminho mais demorava muitíssimo!!! Essa parte final do Fitz é enorme e ruim de orientar. Eu assegurava e às vezes o Julio assegurava enquanto eu tentava dormir batendo queixo. Já eram as 2 da madrugada de segunda e nada de cume e a moral baixando, desidratados com fome, e perdidos.

Aumentou o vento e então chegamos ao pé de uma trepada de rocha e gelo onde decidimos parar, tava muito sinistro, eu não conseguia parar acordado, dormia até escalando de segundo.

Engolimos aquele bivac famoso quase no cume. Eu construí uma espécie de taipa, pirca de pedra pra me proteger do vento e organizei a favela brasileira (plástico, manta térmica, mochila pra entrar dentro e essas coisas) o Ino entrou para dentro da bolsinha de bivac de maricon da North Face!!! E o Julio, bem, acho que nem dormiu. Ficou derretendo neve com o jetboil. Disse que dormiu um pouco até que ferveu a água e derramou entre as pernas dele.

Sonhei um pouco aqueles sonhos quando se esta em casa quentinho com a galera. Acorda-te e tem que encarar a dura realidade, na puta que pariu, gelado, fudido, cansado, exposto e como uma formiga pronta pra ser varrida da face da terra.

Acordamos com o sol nascendo engolimos um liofilizado e olhamos a parede final,Não era mais tão feia quão parecia de noite. Era uma trepindanga entre blocos e gelo. Dale pra arriba, 30 minutos e finalmente cume do fitz Roy com o sol nascendo.




Parabéns aos alpinistas! 

Fotos por Julio Campanella/Ricardo Baltazar.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Conquista Brasil-Argentina no Pilar Cassarotto, El Chaltén.


Fala pessoal,

Entre os dias 28 e 31 de dezembro de 2010, os escaladores Sérgio Tartari (Brasil), Luciano Fiorenza (Argentina) e Jimmy Heredia (Argentina) abriram uma nova via no Pilar Cassarotto, que está situado na face norte do Fitz Roy.

A via que foi batizada "Al abordaje!!!" possui aproximadamente 1.000 metros de extensão, está dividida em 25 enfiadas com graduação em livre de 6b (francês) e de A2 em artificial.





Parabéns aos montanhistas e em especial ao Tartari já que trata-se somente da segunda via conquistada por brasileiro em toda região. A primeirão foi a "bagual bigwall", um D7 na Aguja Poincenot que nunca foi repetido e que foi conquistada por Luiz Makoto Ishibe e Alexandre Portela em companhia com dois suíços.

Fonte: http://www.verticalargentina.com/ultimas-noticias/nueva-via-al-pilar-casarotto-del-fitz.html

Abraços!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Nota de Falecimento: Bernardo Collares. LUTO.



Sinto ter que escrever esta mensagem.

O alpinista brasileiro Bernardo Collares, presidente da Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro e Vice-Presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, veio a falecer na via Afanassief, na face oeste do Monte Fitz Roy, provavelmente entre os dias 2 e 4 de janeiro.

O fato é que durante o rapel pela via, já quase no cume da montanha, o Bernardo Collares, que estava escalando em parceria com a grande montanhista brasileira Kika Bradford, veio a sofrer uma queda, muito provavelmente após a ancoragem do rapel se romper. O certo, nunca saberemos. Ao que tudo indica a queda foi grande, em torno de 20 metros e como resultado o Bernardo teve fratura de bacia e hemorragia interna.

Após ver que seria impossível a descida ele pediu que a Kika descesse para pedir ajudar e foi o que ela fez, após deixar provimentos com o Bernardo. Na verdade, ao meu ver, mesmo que ele não tivesse pedido seria a única coisa a fazer. Qualquer coisa diferente disso ela morreria também.

Pelo que foi confirmado pela Kika ao André Ilha, foram em torno de 50 rapéis até chegar ao chão, sendo que ela chegou somente com alguns pedaços de corda dos 120 metros originais que ela possuia (2 cordas de 60m), em virtude da corda ter enroscado por diversas vezes durante a descida. Uma descida épica onde ela contou com muita sorte.

Já em Chalten, sem helicópteros e já em meio a uma tempestade típica da região, os alpinistas decidiram que não exisitia condições de um resgate por escalada, até porque as condições de saúde do Bernardo combinada com as tempestades ao qual ele já havia se submetido desde então impossibilitava qualquer tipo de sobrevivência.

O resgate por helicóptero também seria muito difícil em face do clima local, onde os ventos chegam fácil aos 80 km/h. Sem contar que no decorrer de um mês são somente 8 dias de tempo bom (ou até menos). Além disso precisaria ser verificado onde foi o acidente e se a positividade da parede permite uma aproximação segura.

 Foto por Brady Robinson.

A via Afanassief foi conquistada em 1979 e desde então sofreu somente uma repetição em 2006 pelos brasileiros Edmilson Padilha, Valdesir Machado e pelo argentino Gabriel Otero. É uma das mais extensas vias de escalada da patagônia.

Aqui se vai um dos maiores nomes do montanhismo brasileiro. Grande homem, grande escalador e grande fomentador do esporte no Brasil. Uma perda irreparável.

Que ele descanse em paz.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Colin Haley faz a primeira ascensão do Cerro Standhardt em solitário.

 Colin Haley na via "Exocet".

O norte-americano Colin Haley fez a primeira ascensão em solitário do Cerro Standhardt, no maciço do Cerro Torre, na patagônia. Tal ascensão foi feita pela via "Exocet" (500 m, 5.9, WI5) e trata-se da primeira ascensão em solitário do Cerro Standhardt.

Para ler a notícia na íntegra acesse: http://www.desnivel.com/object.php?o=20870

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cerro Torre e Fitz Roy em 4 dias.

A dupla no cume do Fitz Roy.

 Adam Holzknecht no Cerro Torre.

Os alpinistas italianos Hubert Moroder e Adam Holzknecht, conseguiram em 4 dias escalar as difíceis montanhas patagônicas acima citadas, abrindo de maneira bastante confiante, a temporada de escalada na região de "El Chaltén".

Eles chegaram a Chaltén em 8 de novembro e já no dia seguinte subiram para o bivaque junto a face oeste do Fitz Roy. No dia 10 de janeiro iniciaram a escalada, atingindo o cume às 16h00. Por volta das 22h00 já estavam de retorno no bivaque.

De volta a Chaltén e com a boa janela ainda reinante, decidiram aproximar no Cerro Torre onde fizeram a ascensão em aproximadamente em 15 horas.

Segue abaixo a notícia na íntegra, extraída do site desnível: http://www.desnivel.com/object.php?o=20760

Fotos por Flavio Moroder.

Cerro Torre y Fitz Roy en cuatro días

La meteorología permitió que los italianos Adam Holzknecht y Hubert Moroder enlazaran las ascensiones de la Supercanaleta al Fitz Roy y la vía del Compresor al Cerro Torre en la misma semana.

La meteorología adversa es uno de los característicos obstáculos a los que se tienen que enfrentar las expediciones que visitan las montañas de Patagonia. Las ventanas de buen tiempo son escasas y breves. Los italianos Adam Holzknecht y Hubert Moroder lo sabían y optaron por lanzar rápidos ataques a las vías que intentaron en la zona. De este modo fueron capaces de ascender durante cuatro días de la semana pasada dos de las más clásicas: la Supercanaleta al Fitz Roy el miércoles y la vía del Compresor al Cerro Torre el domingo.
 

Ambos alpinistas llegaron a Patagonia el 8 de noviembre y, al día siguiente, se desplazaron hasta la base de la pared oeste del Fitz Roy para aprovechar el buen tiempo reinante. Tras vivaquear allí mismo junto a otras dos cordadas, partieron a las 3 de la madrugada.

 

En su resumen de la actividad publicado por Montagna.tv, señalan que “recorrimos la pared mixta de roca y nieve hasta la cima, que alcanzamos a las 16.00, después de 13 horas de escalada. Efectuamos el descenso a lo largo de la misma vía, llegando al final de la canal al anochecer, hacia las 22.00. Desde el saco pudimos seguir el descenso de nuestros compañeros de aventura, que se nos unieron en la base hacia las 2 de la madrugada”.

Con un éxito tan rápido en el bolsillo, Holzknecht y Moroder deshicieron a pie en unas 7 horas el camino hasta El Chaltén, cargando con sendas pesadas mochilas. Era jueves y, “visto que el buen tiempo todavía se mantenía, decidimos aplazar el reposo y partir hacia otro ambicioso objetivo”.
 

Ese objetivo no era otro que la mítica vía del Compresor, abierta por Maestri en el Cerro Torre. Otras siete horas de caminata el sábado les llevaron hasta la base de esa montaña, donde se encontraron a Rolando Garibotti, listo para cortar los parabolts dejados allí en invierno por David Lama.

Los dos italianos se pusieron en marcha en la vía del Compresor a las 2 de la madrugada. “Eran las 5 de la mañana cuando nos poníamos los pies de gato para superar los primeros largos difíciles”, señalan los escaladores, quienes añaden que “la primera parte de la escalada se reveló muy agradable y variada; en cambio, la parte superior fue agotadora a causa de los largos de artificial. El último largo antes de salir al hongo de hielo final exigió toda la experiencia de Adam para superarlo en parte en libre”.

 

Minutos antes de las cinco de la tarde, tras 15 horas de escalada, Holzknecht y Moroder alcanzaban la cima del Cerro Torre. Una breve pausa en la cumbre precedió el largo descenso, que les llevó hasta el glaciar hacia las 22 horas y al saco de plumas una hora más tarde.

Los dos italianos se pusieron en marcha en la vía del Compresor a las 2 de la madrugada. “Eran las 5 de la mañana cuando nos poníamos los pies de gato para superar los primeros largos difíciles”, señalan los escaladores, quienes añaden que “la primera parte de la escalada se reveló muy agradable y variada; en cambio, la parte superior fue agotadora a causa de los largos de artificial. El último largo antes de salir al hongo de hielo final exigió toda la experiencia de Adam para superarlo en parte en libre”.

Minutos antes de las cinco de la tarde, tras 15 horas de escalada, Holzknecht y Moroder alcanzaban la cima del Cerro Torre. Una breve pausa en la cumbre precedió el largo descenso, que les llevó hasta el glaciar hacia las 22 horas y al saco de plumas una hora más tarde.

sábado, 21 de agosto de 2010

A primeira ascensão invernal da Torre Egger, na Patagônia

 Os alpinistas no cume da difícil Torre Egger.

No dia 3 de agosto de 2010, os alpinistas Stephan Siegrist, Dani Arnold e Thomas Senf realizaram a primeira ascensão invernal da Torre Egger (2685m), na Patagônia Argentina.

Uma escalada intensa de um total de três dias, e fazendo o melhor uso da janela de bom tempo - completamente inesperada - foi sucesso desta conquista. Isto é o que aconteceu com Swissmen Stephan Siegrist e Arnold Dani e Senf Thomas da Alemanha, que em 3 de Agosto encontravam-se no cume da Torre Egger, depois de ter partido da Suíça uma semana antes.

Os três foram extremamente rápidos: em 27 de Julho chegaram a El Chalten, em 31 de Julho estavam na base da montanha. A previsão do tempo não era tão ruim assim, eles se perguntaram, por que não fazer logo a tentativa da escalada?

Saindo de Chaltén.

Na manhã seguinte, em perfeitas condições - leia-se perto de ausência total de vento - os três subiram para um bivaque localizado entre Torre Egger e Cerro Standhard. Dani Arnold escalou mais duas cordadas antes de anoitecer com o frio intenso do inverno.

A escalada no dia seguinte não foi de forma simples - as fissuras estavam congeladas e Thomas Senf teve uma longa e inesperada queda - e como eles não conseguiram encontrar uma bivaque adequado, decidiram continuar a escalada.

Próximo ao Cerro Torre.


As fissuras congeladas atrapalharam a progressão.

O clima piorou e depois de 22 horas, chegaram à base do cogumelo de gelo do cume. Para continuar subindo, eles precisam da luz do dia e assim eles cavaram uma base onde sentaram e descansaram por quatro horas.

A primeira luz do dia em 03 de agosto também trouxe com ela o vento frio e sinais evidentes de uma alteração brusca do tempo. Uma escalada rápida ao cume era a única saída e, graças a sua subida da rota Titanitc três anos antes, Siegrist sabia de uma chaminé de gelo na face sul. Eles imediatamente optaram por esta via e ao meio-dia, Siegrist, Arnold e Senf estavam no cume da Torre Egger, realizando assim a primeira ascensão invernal, em estilo alpino perfeito.

Siegrist não é novato em escalada invernal importante na Patagônia, em 1999, juntamente com David e Thomas Ulrich e Gregory Crouch, realizou a primeira ascensão invernal da face oeste do Cerro Torre . Na época as coisas correram de forma completamente diferente, e os quatro tiveram de suportar 58 dias de tempestades típica da Patagônia para chegar com sucesso ao cume.

Visual patagônico incrível para a época do ano.


Próximo do término da escalada.


No cume com o Fitz Roy ao fundo.

Desta vez, os ventos, descrito pelos moradores locais como "La Escoba de Dios", foram muito mais tolerantes. Tanto é que Siegrist, 38 anos de idade, declarou: "Vamos precisar de um par de dias para compreender plenamente a sorte que tivemos. Estávamos prontos para tudo, exceto para um ascensão tão rápida como foi."

Fonte: http://www.extremos.com.br/noticias/100817-A-primeira-escalada-invernal-da-Torre-Egger/

Fotos por Thomas Self

terça-feira, 20 de abril de 2010

Vídeo da escalada da Rota Austríaca da Aguja de la 'S', El Chaltén, Patagônia.

Fala pessoal,

Estava devendo o vídeo da nossa escalada da rota austríaca da Aguja de la S, em El Chaltén, patagônia argentina. Espero que gostem.

Agradecimentos ao Tacio Philip e ao Jason Schilling pelas fotos e vídeos.


Abraços!

terça-feira, 23 de março de 2010

Caminhada até a "Loma del Piegle Tumbado", El Chaltén.


Fala pessoal,

Mesmo já descansado o tempo nao colabora para nosso retorno à montanha e enquanto isso eu e o Tacio Philip (http://www.tacio.com.br/) procuramos manter a forma de alguma maneira, entao hoje fizemos uma caminhada até a "Loma del Piegle Tumbado", um cume à 1490m de altitude, que dista 9,5km da sede da Administraçaco de Parques Nacionales, na entrada de Chaltén. Foram 5h09min entre caminhada e pequenas paradas para fotos e refeiçao e aproximadamente 19,2 km percorridos, com um desnível acumulado de aproximadamente 1.200 metros.



A vista desde a caminhada é muito bonita e merece destaque. O dia estava aberto, com um pouco de vento e a previsao para os dois proximos dias é de queda de neve na parte alta do parque.

Daqui iremos provavelmente comer uma pizza e tomar uma quilmes, assistir um filme e dormir.

Até a próxima!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Cume da Aguja de la "S" pela Rota Austríaca (5+, 55º, 450m), El Chaltén.

  
Cume da Aguja de la "S".

Fala pessoal,

Finalmente uma boa notícia! Dia 19 de março, às 14h50, eu, o Tacio e o Jason Schilling atingimos o cume da Aguja de la "S", pela Rota Austríaca (5+, 55º, 450m) após 7h20min de escalada.

No dia 18 de março, após visualizarmos uma curta, porém possível janela de tempo bom, iniciamos nossa aproximaçao até o bivaque na encosta da Laguna Sucia, onde após 6h30 de caminhada chegamos e pudemos descansar, chegando na caverna por volta das 17h30.

Eu e o Taciao na aproximacao.


Eu, chegando no bivaque. Glaciar Río Blanco ao fundo.

Como eu e o Jason já havíamos subido o glaciar Río Blanco anteriormente e assim já conhecíamos o Pedreiro, decidimos por ficar pela bivaque, cozinhar e nos prepararmos para a escalada. Estávamos um pouco desconfiados que a Aguja de la "S" pudesse estar congelada, fato que havia se concretizado alguns dias antes quando nós fizemos nossa primeira tentativa de escalar a agulha.

Mérito para o Jason que durante a trilha insistiu para que continuássemos, sendo que eu e o Tacio estávamos um pouco desesperançosos, uma vez que nevava e chovia razoavelmente durante nossa aproximaçao, parando somente quando iniciamos a trilha que segue pelo Río Blanco.

No outro dia, acordamos bem cedo, por volta das 04h00, tomamos um café, terminamos de arrumar o que faltava e quando eram 05h20-05h30 estávamos deixando o bivaque, ainda de noite, para subir o pedreiro.

Atingimos o Glaciar e quando eram por volta das 07h20 estávamos na base da grande rampa de neve que sobe à direita da Aguja de la "S", ainda com o sol ensaiando nascer.

 Escalando o primeiro trecho da via. Uma rampa de 55° com 150 metros. Tenso.


Eu, guiando a segunda enfiada de rocha. A mais difícil da via.

Eu, subindo a 3a enfiada de rocha. Quase no col.

A minha experiência em escalada em neve e gelo é miúda e como praticamente nao havia como proteger a subida da rampa pela qualidade da neve, fomos obrigados a "solar" os 150 metros iniciais da via que é uma rampa de neve com 55º de inclinaçao. Para mim foi uma experiência meio estressante, mas vencida após 1h e pouco de subida. Estava somente com uma piqueta de travessia e crampons.

Chegamos no início da parte rochosa e quando eram 09h00 o Jason iniciou a guiada da primeira enfiada, graduada em 4+, sendo que logo após eu e o Tacio iniciávamos a subida. Logo após eu assumi a guiada, graduada no croqui em 5+, sendo que logo após um tempo terminei a guiada, subindo o Jason e o Tacio. Esta segunda enfiada, me pareceu ser mais forte que 5+.

O Tacio, que ainda estava se ambietando com o clima alpino abriu mao de guiar a terceira enfiada para o Jason, sendo que após algum tempo, ele atingia o col, subindo eu o Tacio de segundo. A terceira enfiada é um 4+.

Ainda na 3a enfiada.

Macico do Torre visto do col entre as 3a e 4a enfiadas.


Eu, na centro-esquerda, guiando a quarta e quinta enfiadas, na aresta final.

A vista do col é muito bonita e o dia ajudava. A visao que tínhamos do Cerro Torre, do Egger, Standhardt e Herron era maravilhosa. Dalí até o cume seriam mais 4 enfiadas. Assumi a guiada da 4ª e 5ª enfiadas, graduadas em 4+ ambas, sendo que estiquei em uma só enfiada de uns 65-70m, o que obrigou o Tacio e o Jason a entrarem temporariamente à francesa até que eu atingi a parada e dei segurança para os dois.

Dali até o cume faltavam somente mais duas enfiadas e o tempo ainda era muito bom. O Jason mandou as duas últimas enfiadas e quando eram 14h50 atingíamos o cume. Após algumas fotos, vídeos, refeiçao e outras coisas mais, iniciamos a descida.

Tacio e Jason subindo a quarta e quinta enfiadas.

Eu, subindo a penúltima enfiada. Cume.

O primeiro rapel foi o único que enroscou, sendo que quando desci escalei um trecho bem fácil e desenrosquei a corda e logo o Tacio estava conosco. Dali foram mais dois rapéis até o col e depois mais sete rapéis até o glaciar, os quatro últimos da rampa de gelo, feitos pela direita da mesma.

Chegamos de volta ao glaciar quando eram 19h40 e quando eram 21h00 estávamos atingindo o pedreiro enquanto as últimas gotas de luz caíam do céu. Chegamos no bivaque quando eram quase 22h00 e após um bom macarrao e tang quente, dormimos.

Tacio, no cume! Cerro Torre ao fundo.

Cerro Torre ao fundo, durante o rapel.

Sobre a escalada, é interessante que se esteja guiando ao menos 6º grau móvel com conforto, pois as enfiadas de 5+ podem parecer de 6º devido a falta de costume com a escalada em fissuras e fendas. Elegemos a enfiada mais difícil a segunda.

Para mandar tranquilo a rota inteira é interessante que os participantes e guias tenham um conhecimento de travessia em glaciar, já que é necessário atravessar o glaciar Río Blanco. Estar escalando em gelo/neve pelo menos uns 60º, e estar escalando, como dito, 6º grau de rocha em móvel além de estar com a resistência em dia para suportar a aproximaçao e a escalada de 450 metros.
 Parada patagonica.

No outro dia, levantamos sem pressa por volta das 10h30 e iniciamos a descida por volta das 12h40 atingindo Chaltén por volta das 17h20, onde após um banho, algumas Quilmes dormimos felizes pela excelente escalada.


Na lente, as agulhas!

Hoje é dia 22 de março e o Jason já retornou para os Estados Unidos. Eu o Tacio ainda pensamos em fazer algo se o tempo ajudar. Ficaremos aqui até o dia 27/28. Pensamos em voltar para a Guillaumet, onde fiz anteriormente com o Jason as 8 primeiras enfiadas da Fonrouge-Comesaña, chegando até o "col" da rota Amy. Mas isso depende do tempo. Vamos ver!

Posteriormente coloco as fotos, que estao com o Tacio.

Forte abraço!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Mantendo a forma em Chaltén (Vescho Wall)!

Fala pessoal!

Bom, após descansar um pouco, ontem, com a chegada do Tacio, fomos junto com o Jason escalar na Pared de Condores com a finalidade de tentar manter um pouco da forma em escalada em rocha. A Pared de Condores é uma grande parede próxima a Chaltén e ao nosso albergue que possui quase 200 metros de altura e uma via chamada "Estamos ahí", com 170m, graduada em 6a frances e com 4 enfiadas.

Taciao, eu e Jason na Pared de Condores. Expulsos logo depois.

Chegando lá, já equipados e quase começando a escalar fomos obrigados a descer por um funcionária do Hotel "La Quinta" que nos informou ser aquela parede propriedade do Hotel e que todas as escaladas lá eram somente para os clientes do Hotel. Inicialmente estranhamos um pouco, já que tal via estava com Guia de Escaladas de Chaltén, e nós havíamos selecionado a rota no próprio guia que nao trazia qualquer informaçao sobre lá ser propriedade privada ou qualquer coisa parecida.

Com essa proibiçao, procuramos outro lugar para escalar e decidimos ir para a Vescho Wall, que possui enorme quantidade de vias de escalada, indo de 4º grau francês até 8a francês.

Entramos inicialmente em dois 5+, o primeiro chamado "Comida mexicana" e a outra via chamada "Más comida mexicana". Eu e o Tacio guiamos ambas (o Tacio equipou) e o Jason, que nao é muito fa de escalada curta e esportiva guiou a primeira e preferiu ir de top na segunda via.

Posteriormente fomos até a Parede Central da Vescho Wall e entramos na via "Buscando el 6c", graduada em 6b+ francês (7a BR). Entrei primeiro guiando e equipando e o Tacio entrou na sequencia mandando a guiada. O Jason ja havia feito a via alguns dias antes e preferiu ficar na base. A via é bem legal, alternando trechos negativos e verticais, exigindo algum descanso com dois crux, sendo o mais chato proximo ao final da via.

Depois disso fomos jantar, onde juntou-se o Robert, da Áustria, excelente montanhista de altitude, com diversos cumes acima de 6.000, incluindo o Denalí, Aconcagua, entre outros.

Depois de muita cerveja, voltamos pro albergue, onde tomamos mais algumas cervejas e fomos dormir. Continuamos prestando atençao no tempo e nossa atençao se volta para a "Aguja de la S", onde talvez tentemos no dia 20.

Abraços!

terça-feira, 16 de março de 2010

Tentativa na "Aguja de la S".

Aguja de la S. Congelada.

Fala pessoal!

Após uma previsao de uma curta janela de tempo bom aqui em El Chaltén, eu e o Jason Schilling, subimos para tentar a Aguja de la S, pela clássica Rota Austríaca (5+, 55º, 450m). Quando eram 11h da manha do dia 14 iniciamos a aproximacao até a Caverna onde iríamos realizar o bivaque, local próximo ao início do Glaciar "Río Blanco", sendo que chegamos lá após quase 6h30 de caminhada, a segunda parte em terreno íngrime.

Ainda aproximando. No acampamento Río blanco.

Chegando lá, tomamos uma sopa e subimos até o início do glaciar para fazer o reconhecimento do pedreiro e retornamos para dormir. Acordamos por volta das 4h30, tomamos café, e após alguns atrasos, provocados sobretudo pelo frio, cruzamos o glaciar e atingimos a base da rota quando eram 08h20 da manha.

Eu, no glaciar Río Blanco.

A esquerda a Aguja Saint-Exupery e a direita a Aguja Poincenot.

Aguja de la S. Sem condicoes de escalada.

Para nosso azar, ao chegarmos lá visualizamos que as paredes estavam literalmente congeladas, com as fissuras recobertas por gelo e o granito em grandes porcoes também coberto por uma fina camada de gelo. Diante fomos obrigados a desistir da escalada, e com tempo de sobra resolvemos explorar um pouco o glaciar Río Blanco e atingir o col que está a esquerda da Aguja de la S para conseguirmos mirar o Cerro Torre e a Torre Egger. Dito e feito, retornamos ao acampamento e quando eram 10h30 estávamos tomando nosso segundo café da manha. Dormimos um pouco e quando eram por volta das 14h15 estávamos iniciando nossa descida para Chaltén.

Jason quase na base da rota Austríaca, nossa intencao. Aguja da la S.

Chegamos ontem de volta por volta das 19h00 e após um banho, uma pizza e descanso estou um pouco recuperado. Hoje provavelmente tentaremos brincar na Pared de Condores, onde existe uma via de 4 enfiadas, 180m, graduada em 6a frances, somente para tentarmos manter um pouco da forma.

Eu, acordando pra descer pra Chaltén depois de uma "ciesta" no bivaque.

Existe a previsao de uma janela de 3 dias de tempo bom, do dia 18 ao 20 agora. Amanha checaremos a previsao e talvez voltemos a Aguja de la S para tenta-la novamente. Vamos ver.

Meu amigo Tacio chega em Chalten hoje e passa a integrar a "equipe"!

As fotos estao com o Jason e posteriormente atualizo o post com as mesmas.

Atualizacao: As fotos expostas foram tiradas pelo Jason.

Abracos!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Escalando a Fonrouge-Comesaña (5+, 6b/A1), Aguja Guillaumet, El Chaltén.

Eu, guiando a sétima enfiada. Fonrouge-Comesaña, Aguja Guillaumet.

Fala pessoal,

Bom, logo após minha última postagem, no dia 7 agora, encontrei um parceiro de escalada, um americano chamado Jason Schilen (acho que o segundo nome dele é esse), que após um primeiro contato e com uma janela de tempo bom aberta a partir do dia 9, resolvemos por tentar escalar a rota Fonrouge-Comesaña (5+, 6b/A1, graduacao francesa), na Agulha Guillaumet.

Iniciamos nossa aproximacao no dia 8 de marco, quando pegamos por volta das 10h00 um remis que nos deixou na ponte que dá acesso a trilha para a Piedra del Fraile. Sendo que após 5 horas de caminhada estávamos chegando em Piedras Negras para nosso bivaque.

A previsao dizia que 9 e 10 seriam dias com tempo bom para escalada. Melhora de pressao e tudo mais, e quando amanheceu no dia 9, o tempo aparentava estar razoavelmente bom. Levantamos por volta das 07h00 e quando eram por volta das 08h00 estávamos comecando nossa caminhada de aproximacao para o início da via.

Aproximando.

Chegamos na base da via por volta das 10h00, no col que da vista aos glaciares marcantes que estao a oeste da Agulha Mermoz e do Fitz Roy.

No col ventava forte.

Após as preparacoes o Jason iniciou a guiada, ja que estava melhor fisicamente e aparentava ser mais forte de escalada. Guiou a primeira e segunda enfiadas, ambas graduadas em 5 grau frances, sendo que na sequencia entrei guiando uma enfiada e meia. O Jason entao tocou guiando outra enfiada e meia.

Visao da base da rota.

As enfiadas sao muito bonitas predominando a escalada em fissuras e fendas. Somente protecoes moveis e as paradas todas em antigos pitons ou moveis. Visual impagável.

A este momento o vento comecava a incomodar mas ainda sim rumávamos para cima. Chegando no crux da via, o Jason assumiu a guiada e em misto de escalada em livre e artificial mandou rapidamente. O crux é um conjunto de fissuras do lado direito de um grande bloco de pedra que segue inicialmente com protecoes moveis e depois passam a existir alguns pitons (uns 4 ou 5) até o topo deste bloco, onde existe uma parada tambem com antigos pitons. Fui na sequencia tirando o primeiro terco da enfiada em livre e o restante em A0. O crux deve estar entre 6sup brasileiro e 7a, mas fazer de mochila sempre joga a graduacao para cima. Enfim, logo estava guiando a bonita travessia para a esquerda, bem aérea e sem protecoes. Ao termino da travessia se sobe por uma fenda (onde tem um piton) até chegar na parada que sao mais dois antigos pitons.

Ainda durante a subida. Vento forte e muito frio. As nuvens já visíveis.

O Jason veio limpando e na sequencia mandou a proxima enfiada, que segue inicialmente estranha e depois entra em um lindo diedro que segue a direita do filo por onde se desenvolve a rota. Entrei de segundo e logo estavamos a somente uma enfiada do filo que separa a face oeste da face leste. A esta altura o vento ja estava bastante forte, dificultando a escalada e comecavamos a vislumbrar que a previsao havia furado. Eram 15h00.

Toquei guiando o que faltava até o filo e quando chegamos onde termina a Rota Amy e Espolon Brenner o vento já queria nos arrastar e sem conseguir ver mais que 5 metros para cima, decidimos sair da montanha. Iniciamos os rapéis, sendo que o primeiro deles, com ventos cortantes, já foi muito ruim. O Jason montou o rapel em um cordelete azul que lá estava, e mesmo desconfiado, devido a celeridade para descer, topei montar o rapel nele.

Iniciamos o segundo rapel, ao mesmo estilo do primeiro, em cordeletes velhos que lá estavam, eu muito desconfiado. O Jason foi primeiro, e quando ele chegou montei o rapel e quando estava quase chegando na parada, despenquei. A corda correu no freio e cai, livremente, por volta de 6 metros, batendo inicialmente as costas na parede, virando e batendo as costelas e o cotovelo direito.

Ao certo, parei logo apos ter passado pelo Jason, uns 2 metros abaixo, encaixado no diedro pouca coisa da parada. Estasiado pela queda e tentando contabilizar os danos e do porque de estar vivo ja que o diedro era inclinado (inclinacao de 3/4 grau) e dele partiria para o infinito. Sentia muita dor nas costelas do lado esquerdo e muita dor no cotovelo que jorrava sangue. Abaixo, 600 metros de verticalidade.

Enquanto isso o vento nos cercava e comecava a chegar a neve que com a velocidade incrível do vento, quando batia no rosto parecia como pedregulhos. O Jason entao perguntou se estava bem, disse que sim, que poderiamos continuar a descer, o mais rapido possivel e que acreditava estar com algumas costelas quebradas.

Como estavamos descendo com uma só corda, devido ao vento teríamos que fazer o rapel-tensao da travessia. Ele montou o rapel e desceu e fui na sequencia. A esta hora estava preocupado com minhas maos já que nao havia conseguido até aquele momento colocar minhas luvas.

Pouco depois conseguir colocar as luvas e fomos descendo e descendo. Nove (9) rapéis até chegar ao col, atingido entre 22h00 e 23h00. Chegando lá, disse ao Jason, que insistia em praticamente nao reforcar os velhos cordins e fitas que estavam nos pitons, que eu havia abandonado 3 mosquetoes meus, 3 cordins e uma fita, reforcando sempre os rapéis logo que ele iniciava a descida.

Depois do col, vira-se para uma "subface" mais protegida do vento e com dois rapéis e alguns destrepa-pedra estávamos chegando para a descida por caminhada. Dali seguimos descendo por aquele monte de pedra amontada até atingir os neveiros. Caminhando eternamente, atingimos nosso bivaque quando eram por volta das 01h00, que estava destruido pela tempestade. O fly da minha barraca, estava arrancado, meu saco de dormir e isolante, molhados.

Jantamos e dormimos assim mesmo. Ontem, ao levantar desmontamos tudo e continuamos a descer pela trilha rumo a Chalten. Atestei o desaparecimento da minha camera fotografica, novinha. Mais 4 horas de caminhada. Conseguimos uma carona e quando eram por volta das 19h00 estava chegando no meu albergue. Dali fui para o Hospital, onde o médico atestou que eu nao estava com as costelas quebradas, somente uma forte concussao na regiao, diversas escoriacoes pelo corpo, incluindo uma forte concussao no cotovelo e uma queimadura de frio no dedao da mao direita.

Eu acreditava inicialmente que minha queda havia se dado por conta do rompimento dos velhos cordins que nos serviam como base do rapel. Mas posteriormente o Jason me disse que após ele terminar o rapel, havia desmanchado o nó que unia as pontas da corda e comecou a recupera-la quando parou por algum motivo. Foi neste instante que montei meu freio e back-up e iniciei a descida. Naquele tempo horrível eu nem percebi que ele havia recuperado uma parte da corda já que estava fazendo alguma outra coisa.

O Jason, após a escalada.

Logo após o início do meu rapel, ele disse que gritou pedindo que eu parasse mas que eu nao escutava. E com isso fui descendo. Quando a ponta menor chegou em mim e vazou do freio, despenquei. Creio que o fato de ainda estar com a outra ponta, desacelerou um pouco minha queda (pois a corda tem que correr inteira até o ponto de partida do rapel e com o atrito da rocha, desacelera pouca coisa) e que o fator sorte ou Deus me salvou. Ainda nao sei ao certo. Só sei que, como disse o Alberto, do meu albergue, dia 9 de marco é minha segunda data de nascimento agora. Quando caí, só consegui gritar "queda" e pensar: morri.

Mas agora já está tudo bem, a nao ser pela minha camera. As fotos desta escalada, tenho somente as da camera do Jason e assim que pegar coloco aqui neste post. Preciso me recuperar uns dias e assim que possível pretendo atacar a Aguja de la S. Ao Jason, excelente escalador, faltou um pouco de procedimento, pois até agora nao consegui entender o porque que ele estava querendo recuperar a corda. Queria rapelar sozinho naquelas condicoes? E se minha corda enrosca? Ele desce com a dele e eu morro na parede, ou a minha enrosca e ele desce dois rapéis e a dele enrosca também e morrem os dois na parede. Nestas condicoes creio os escaladores devem descer sempre juntos, tendo assim maior chance de sobrevivencia. Nossas cordas enroscaram durante o rapel tres vezes, eu tive que escalar uma vez para desenroscar e o Jason duas vezes. Tudo isso após minha queda no segundo rapel.

Retornando de carona pra Chatén. Costelas quase quebradas e diversos hematomas e cortes.

Enfim, é isso. As fotos, assim que pegar com o Jason coloco no post. Sobre a escalada, muito bonita. O clima é cruel e precisa ser pensado muito bem quando subir para as agulhas. Creio que na descida, com os ventos (que chuto entre 50-70 km/h) e a neve, tivemos uma sensacao térmica entre vinte-trinta graus negativos.

Atualizacao: Todas as fotos já colocadas foram tiradas pelo Jason.

Croqui da via. Extraído de climbinginpatagonia.freeservers.com.

Abracos!