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domingo, 10 de agosto de 2014

A perda de mais um montanhista de peso (Ricardo "Rato" Baltazar).

Foto de Rato no cume do Fitz Roy, em 2011.

Deixo aqui o registro da perda de mais um montanhista. Uma perda pela pessoa humilde e como montanhista: Ricardo "Rato" Baltazar.

Divulgando o e-mail recebido das listas:

Boa noite. Foi encontrado hoje pela manhã no interior do canion  Malacara o corpo do escalador Ricardo (Rato) Baltazar. Grande montanhista morador de Torres e muito conhecido no mundo da escalada, com escalada com o Cerro Torre e  diversas outra agulhas de Chaltén. Rato entrou no canion na quarta feira passada sozinho para acampar, e as notícias que recebi é que ele caiu caminhando sobre as pedras e  bateu a cabeça, estava com a mochila nas costas. O Brasil perde um grande montanhista, se tornou uma lenda patagônica conhecido por muitos por lá.

Filipe 


O Rato havia escalado diversas montanhas de peso, entre as quais o Cerro Torre e o Fitz Roy. Foi um dos últimos escaladores a repetir a Via do Compressor antes da sua descaracterização. Chegou inclusive a morar em Chaltén por um tempo.

Link da notícia de sua escalada no Fitz Roy, em 2011: http://www.montanhista.com/2011/03/julio-campanella-e-ricardo-baltazar-no.html

Descanse em paz.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Julio Campanella e Ricardo Baltazar no cume do Fitz Roy (Rota Franco-Argentina).



Os brasileiros Julio Campanella e Ricardo "Rato" Baltazar, escalaram no final de fevereiro o Cerro Fitz Roy pela via Franco-Argentina. Depois da conquista de Sérgio Tartari, trata-se da melhor escalada feita por brasileiros na região. Leia o relato do Ricardo:

Saímos eu o Julio no sábado pro passo superior (alta caminhada alpina) e nos instalamos no bivac la pelas 4 da tarde. Engolimos o bivac gelado só no saquinho e as 11 hs da noite nos levantamos pra comer e ir atacar a famigerada brecha dos italianos. Pela 1h da manhã de domingo estávamos em marcha cruzando o glaciar do passo superior cheio de greta sinistras (íamos encordados eu na frente abrindo caminho e seguindo três argentinos que saíram antes nós). Saltei varias gretas e entrei com uma perna dentro de uma pequena.

Sobe, sobe chegamos ao pé da brecha lá pelas 3 da manhã e ai nos preparamos pra trepar a rymaia (sinistra) e escalar os 300 metros de misto e 5 grau. Demoramos um pouco porque logo encostou um espanhol e um argentino e nos embolamos um pouco, mas tiramos pra arriba. Chegamos no topo da silla dos franceses (pè da rocha) lá pelas 9 da manhã e ae tava uma muvuca!!!!

Tinha um casal logo na segunda cordada (que não se moviam) uma cordada de Bariloche logo por baixo na primeira cordada, os três argentinos no pé da via esperando pra entrar e nós, que chegamos seguidos de um espanhol e um outro argentino. Os três argentinos entraram na 1 cordada (um 6a), mas não se moviam. Julio começou falar em descer, desistir, pois começou a ficar tarde (já era quase meio dia!!!), sendo que o normal é começar a parte de rocha as 7 hs!!!!!

Foi quando o argentino que estava com o espanhol resolveu desistir. O espanhol (se chama Ino) então nos perguntou se o aceitávamos na cordada. Dissemos que sim. Tinha que ver o loco, tava quase chorando pra escalar.

Bom, peguei a ponta da corda e comecei o baile. Passei voando pelo 6a. O Julio e o Ino vinham escalando juntos limpando. Na 3 cordada pedi licença pros três argentinos pra passar, pois eles iam igual tartaruga e a parede jorrava água das fendas, pois o verglas tava derretendo com o calor que fazia.

Passei os argentinos e comi um 6b+ molhado, frio e de 50 metros em um diedro. Dale friends. Depois guiei uma cordada a mais e passei a bola pro Julio. Ele guiou umas 5 cordadas e passou pra mim de novo. (o espanhol não escalava muito bem em rocha) Fiz um par de cordadas e encarei a ultima pra sair na rampa de neve que dá acesso ao cume, um 6c (francês) duro e gelado (já eram umas 9 hs).

Artificializei o passo de 6c e meti o restante em livre. Subiram os loco e daí começou a epopéia!!!

A tal rampa final não tem nada de fácil, maior roubada!!!! De noite de lanterna, um frio ducaralho. Eu tava com todas as roupas e cagado de frio, nunca passei tanto frio em minha vida (estou com os dois dedão do pé insensíveis, dormentes, ainda). Foram
300 metros de misto a 50º graus um gelo petrificado pelo vento, que nem os crampons agarravam direito.

Nesse tramo passamos a bola pro espanhol como forma dele pagar o arrego que demos pra ele. O bixo foi bem, de piqueta e crampom foi encontrando o caminho mais demorava muitíssimo!!! Essa parte final do Fitz é enorme e ruim de orientar. Eu assegurava e às vezes o Julio assegurava enquanto eu tentava dormir batendo queixo. Já eram as 2 da madrugada de segunda e nada de cume e a moral baixando, desidratados com fome, e perdidos.

Aumentou o vento e então chegamos ao pé de uma trepada de rocha e gelo onde decidimos parar, tava muito sinistro, eu não conseguia parar acordado, dormia até escalando de segundo.

Engolimos aquele bivac famoso quase no cume. Eu construí uma espécie de taipa, pirca de pedra pra me proteger do vento e organizei a favela brasileira (plástico, manta térmica, mochila pra entrar dentro e essas coisas) o Ino entrou para dentro da bolsinha de bivac de maricon da North Face!!! E o Julio, bem, acho que nem dormiu. Ficou derretendo neve com o jetboil. Disse que dormiu um pouco até que ferveu a água e derramou entre as pernas dele.

Sonhei um pouco aqueles sonhos quando se esta em casa quentinho com a galera. Acorda-te e tem que encarar a dura realidade, na puta que pariu, gelado, fudido, cansado, exposto e como uma formiga pronta pra ser varrida da face da terra.

Acordamos com o sol nascendo engolimos um liofilizado e olhamos a parede final,Não era mais tão feia quão parecia de noite. Era uma trepindanga entre blocos e gelo. Dale pra arriba, 30 minutos e finalmente cume do fitz Roy com o sol nascendo.




Parabéns aos alpinistas! 

Fotos por Julio Campanella/Ricardo Baltazar.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Conquista Brasil-Argentina no Pilar Cassarotto, El Chaltén.


Fala pessoal,

Entre os dias 28 e 31 de dezembro de 2010, os escaladores Sérgio Tartari (Brasil), Luciano Fiorenza (Argentina) e Jimmy Heredia (Argentina) abriram uma nova via no Pilar Cassarotto, que está situado na face norte do Fitz Roy.

A via que foi batizada "Al abordaje!!!" possui aproximadamente 1.000 metros de extensão, está dividida em 25 enfiadas com graduação em livre de 6b (francês) e de A2 em artificial.





Parabéns aos montanhistas e em especial ao Tartari já que trata-se somente da segunda via conquistada por brasileiro em toda região. A primeirão foi a "bagual bigwall", um D7 na Aguja Poincenot que nunca foi repetido e que foi conquistada por Luiz Makoto Ishibe e Alexandre Portela em companhia com dois suíços.

Fonte: http://www.verticalargentina.com/ultimas-noticias/nueva-via-al-pilar-casarotto-del-fitz.html

Abraços!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Nota de Falecimento: Bernardo Collares. LUTO.



Sinto ter que escrever esta mensagem.

O alpinista brasileiro Bernardo Collares, presidente da Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro e Vice-Presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, veio a falecer na via Afanassief, na face oeste do Monte Fitz Roy, provavelmente entre os dias 2 e 4 de janeiro.

O fato é que durante o rapel pela via, já quase no cume da montanha, o Bernardo Collares, que estava escalando em parceria com a grande montanhista brasileira Kika Bradford, veio a sofrer uma queda, muito provavelmente após a ancoragem do rapel se romper. O certo, nunca saberemos. Ao que tudo indica a queda foi grande, em torno de 20 metros e como resultado o Bernardo teve fratura de bacia e hemorragia interna.

Após ver que seria impossível a descida ele pediu que a Kika descesse para pedir ajudar e foi o que ela fez, após deixar provimentos com o Bernardo. Na verdade, ao meu ver, mesmo que ele não tivesse pedido seria a única coisa a fazer. Qualquer coisa diferente disso ela morreria também.

Pelo que foi confirmado pela Kika ao André Ilha, foram em torno de 50 rapéis até chegar ao chão, sendo que ela chegou somente com alguns pedaços de corda dos 120 metros originais que ela possuia (2 cordas de 60m), em virtude da corda ter enroscado por diversas vezes durante a descida. Uma descida épica onde ela contou com muita sorte.

Já em Chalten, sem helicópteros e já em meio a uma tempestade típica da região, os alpinistas decidiram que não exisitia condições de um resgate por escalada, até porque as condições de saúde do Bernardo combinada com as tempestades ao qual ele já havia se submetido desde então impossibilitava qualquer tipo de sobrevivência.

O resgate por helicóptero também seria muito difícil em face do clima local, onde os ventos chegam fácil aos 80 km/h. Sem contar que no decorrer de um mês são somente 8 dias de tempo bom (ou até menos). Além disso precisaria ser verificado onde foi o acidente e se a positividade da parede permite uma aproximação segura.

 Foto por Brady Robinson.

A via Afanassief foi conquistada em 1979 e desde então sofreu somente uma repetição em 2006 pelos brasileiros Edmilson Padilha, Valdesir Machado e pelo argentino Gabriel Otero. É uma das mais extensas vias de escalada da patagônia.

Aqui se vai um dos maiores nomes do montanhismo brasileiro. Grande homem, grande escalador e grande fomentador do esporte no Brasil. Uma perda irreparável.

Que ele descanse em paz.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cerro Torre e Fitz Roy em 4 dias.

A dupla no cume do Fitz Roy.

 Adam Holzknecht no Cerro Torre.

Os alpinistas italianos Hubert Moroder e Adam Holzknecht, conseguiram em 4 dias escalar as difíceis montanhas patagônicas acima citadas, abrindo de maneira bastante confiante, a temporada de escalada na região de "El Chaltén".

Eles chegaram a Chaltén em 8 de novembro e já no dia seguinte subiram para o bivaque junto a face oeste do Fitz Roy. No dia 10 de janeiro iniciaram a escalada, atingindo o cume às 16h00. Por volta das 22h00 já estavam de retorno no bivaque.

De volta a Chaltén e com a boa janela ainda reinante, decidiram aproximar no Cerro Torre onde fizeram a ascensão em aproximadamente em 15 horas.

Segue abaixo a notícia na íntegra, extraída do site desnível: http://www.desnivel.com/object.php?o=20760

Fotos por Flavio Moroder.

Cerro Torre y Fitz Roy en cuatro días

La meteorología permitió que los italianos Adam Holzknecht y Hubert Moroder enlazaran las ascensiones de la Supercanaleta al Fitz Roy y la vía del Compresor al Cerro Torre en la misma semana.

La meteorología adversa es uno de los característicos obstáculos a los que se tienen que enfrentar las expediciones que visitan las montañas de Patagonia. Las ventanas de buen tiempo son escasas y breves. Los italianos Adam Holzknecht y Hubert Moroder lo sabían y optaron por lanzar rápidos ataques a las vías que intentaron en la zona. De este modo fueron capaces de ascender durante cuatro días de la semana pasada dos de las más clásicas: la Supercanaleta al Fitz Roy el miércoles y la vía del Compresor al Cerro Torre el domingo.
 

Ambos alpinistas llegaron a Patagonia el 8 de noviembre y, al día siguiente, se desplazaron hasta la base de la pared oeste del Fitz Roy para aprovechar el buen tiempo reinante. Tras vivaquear allí mismo junto a otras dos cordadas, partieron a las 3 de la madrugada.

 

En su resumen de la actividad publicado por Montagna.tv, señalan que “recorrimos la pared mixta de roca y nieve hasta la cima, que alcanzamos a las 16.00, después de 13 horas de escalada. Efectuamos el descenso a lo largo de la misma vía, llegando al final de la canal al anochecer, hacia las 22.00. Desde el saco pudimos seguir el descenso de nuestros compañeros de aventura, que se nos unieron en la base hacia las 2 de la madrugada”.

Con un éxito tan rápido en el bolsillo, Holzknecht y Moroder deshicieron a pie en unas 7 horas el camino hasta El Chaltén, cargando con sendas pesadas mochilas. Era jueves y, “visto que el buen tiempo todavía se mantenía, decidimos aplazar el reposo y partir hacia otro ambicioso objetivo”.
 

Ese objetivo no era otro que la mítica vía del Compresor, abierta por Maestri en el Cerro Torre. Otras siete horas de caminata el sábado les llevaron hasta la base de esa montaña, donde se encontraron a Rolando Garibotti, listo para cortar los parabolts dejados allí en invierno por David Lama.

Los dos italianos se pusieron en marcha en la vía del Compresor a las 2 de la madrugada. “Eran las 5 de la mañana cuando nos poníamos los pies de gato para superar los primeros largos difíciles”, señalan los escaladores, quienes añaden que “la primera parte de la escalada se reveló muy agradable y variada; en cambio, la parte superior fue agotadora a causa de los largos de artificial. El último largo antes de salir al hongo de hielo final exigió toda la experiencia de Adam para superarlo en parte en libre”.

 

Minutos antes de las cinco de la tarde, tras 15 horas de escalada, Holzknecht y Moroder alcanzaban la cima del Cerro Torre. Una breve pausa en la cumbre precedió el largo descenso, que les llevó hasta el glaciar hacia las 22 horas y al saco de plumas una hora más tarde.

Los dos italianos se pusieron en marcha en la vía del Compresor a las 2 de la madrugada. “Eran las 5 de la mañana cuando nos poníamos los pies de gato para superar los primeros largos difíciles”, señalan los escaladores, quienes añaden que “la primera parte de la escalada se reveló muy agradable y variada; en cambio, la parte superior fue agotadora a causa de los largos de artificial. El último largo antes de salir al hongo de hielo final exigió toda la experiencia de Adam para superarlo en parte en libre”.

Minutos antes de las cinco de la tarde, tras 15 horas de escalada, Holzknecht y Moroder alcanzaban la cima del Cerro Torre. Una breve pausa en la cumbre precedió el largo descenso, que les llevó hasta el glaciar hacia las 22 horas y al saco de plumas una hora más tarde.